{"id":102,"date":"2020-11-13T08:30:38","date_gmt":"2020-11-13T08:30:38","guid":{"rendered":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/?p=102"},"modified":"2020-11-13T10:56:11","modified_gmt":"2020-11-13T10:56:11","slug":"competencia-escrita-consciencia-pratica-tolerancia-paciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/2020\/11\/13\/competencia-escrita-consciencia-pratica-tolerancia-paciencia\/","title":{"rendered":"Compet\u00eancia escrita: consci\u00eancia, pr\u00e1tica, toler\u00e2ncia, paci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Deem licen\u00e7a e desculpem pela ousadia, pois este que escreve \u00e9 t\u00e3o analfabeto como qualquer outra das que se esfor\u00e7am na tarefa de refazer diariamente o galego como l\u00edngua escrita e de cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E que percorrido, o de toda a gente, autodidatas, j\u00e1 na vida adulta, com voluntarismo e n\u00e3o pouco amadorismo, transitando momentos (lembran\u00e7as, esfor\u00e7os e saudades) a normas e pr\u00e1ticas de escrita diversas. Porteiro Garea, em 1916, dava conta (esque\u00e7am isso ret\u00f3rico da ra\u00e7a) como ningu\u00e9m desse momento:<\/p>\n<div class=\"QmZWSe\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"DHcWmd\">\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000080;\">Aqu\u00ed me tedes, pesaroso e triste por non corresponder a intensidade do momento: ledo e venturoso, xa que por moi mal que fale, sempre me alumear\u00eda o l\u00f3strego do ideal que nos xunta hoxe, e que dend\u2019antano latexa n-o noso coraz\u00f3n.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000080;\">Escribo en galego e escribo mal. \u00a1Qu\u00e9 queredes!&#8230; Nunca hastra hoxe, escrib\u00edn. Xam\u00e1is mo ensi\u00f1aron nin eu me preocupei d\u00f3 deprender! E agora, preg\u00fantobos: si podo escribir \u2013mal, todo o mal que v\u00f3s queirades- no idioma que non deprend\u00edn nas escolas, nos epitomes nin nos dizionarios \u00bfn\u2019e verdade qu\u2019isa lingua debe ter raices moi fondas no meu peito, na y-alma da mi\u00f1a raza cando non-a enterraron para sempre os abandonos alleos e os propios? \u00bfN\u2019e verdade qu\u2019ese idioma \u00e9 unha realid\u00e1 forte e latexante que n\u00f3s temos esquencida, pro que vive no noso esprito e que ten qu\u2019esnaquizar a lousa qu\u2019o cobre, sempre que fagamos ensamen de concencia e nos dispo\u00f1amos \u00e1 recontar e cribar os valores que forman o edificio da cultura, e as espranzas da raza?<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><span style=\"color: #000080;\">\u201cFALAR Y-ESCRIBIR EN GALEGO, COMO SEIPAMOS\u201d (<i>A Nosa Terra<\/i>, n\u00ba3, A Crunha, Dezembro de 1916)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre com esfor\u00e7o, n\u00e3o importa qual fosse o p\u00e9riplo ou a peregrina\u00e7\u00e3o. A \u00fanica diferen\u00e7a estriba em se tivemos mestres ou uma aprendizagem regrada, e como a l\u00edngua se decora na habilidade e nas horas de pr\u00e1tica metidas. Pois, todos os processos de aprendizagem exigem tempo. N\u00e3o \u00e9 doado, n\u00e3o dominar uma l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Richard_Sennett\">Richard Sennet<\/a>, publicou l\u00e1 em 2008 <i><a title=\"The Craftsman (book)\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/The_Craftsman_(book)\">The Craftsman<\/a><\/i>, um belo ensaio em que reflete a respeito do trabalho e a aprendizagem. L\u00e1 estabelece, em base \u00e0 experi\u00eancia hist\u00f3rica e a diversos estudos de psicologia moderna, que s\u00e3o necess\u00e1rias umas 10.000 horas (no m\u00ednimo tr\u00eas horas por dia durante dez anos) para assimilarmos e aprendermos todas as rotinas e procedimentos de um trabalho e para execut\u00e1-lo sem esfor\u00e7o. A qualidade do trabalho, mais do que do talento, depende, portanto, da pr\u00e1tica.<\/p>\n<div class=\"QmZWSe\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"DHcWmd\">\n<p>A habilidade, de acordo com Sennett, \u00e9 uma &#8220;pr\u00e1tica treinada&#8221; e \u00e9 adquirida pela repeti\u00e7\u00e3o, melhor se guiada e corrigida. Isto \u00e9 comum a todos os of\u00edcios e artes.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"QmZWSe\">\n<div class=\"DHcWmd\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Mas dominar uma l\u00edngua n\u00e3o sempre foi dominar exatamente a sua ortografia e normas padronizadas. Se imos para atr\u00e1s no tempo podemos encontrar nas penas mais elegantes as desvia\u00e7\u00f5es mais not\u00e1veis. Pensemos por exemplo no castelhano agalegado, ou no portugu\u00eas acastelhanado do conde de Gondomar, ou nas vezes que Rosalia e Pondal metem V por B e outras trapalhadas. Afinal n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o, para tanto.<\/p>\n<p>Cumpre dizer, que, realmente n\u00e3o foi apenas at\u00e9 1844 &#8211; no Reino da Espanha &#8211; que os governos tomaram prop\u00f3sito de designar a nova ortografia castelhana da RAE como obrigada para as escolas. Todavia no 1846 nas proclamas da Junta Superior e nos escritos dos provincialistas e portanto na gente das gera\u00e7\u00f5es anteriores, observamos que parecem mais seguir, na escrita pre-RAE, ou as propostas de <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Andr%C3%A9s_Bello\">Bello<\/a> (e <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Rufino_Jos%C3%A9_Cuervo\">Cuervo<\/a>).<\/p>\n<p>De feito tardou tempo em se consolidar essa Ortografia nova da RAE. E l\u00e1, na altura de 1865, <a href=\"https:\/\/gl.wikipedia.org\/wiki\/Juan_Antonio_Saco_y_Arce\">Saco e Arce<\/a> teria a original ideia de considerar que j\u00e1 que era a obrigat\u00f3ria e em uso para todas as escolas do Reino, pois talvez n\u00e3o era m\u00e1 cousa a aproveitarmos na Galiza e meu dito, meu feito, a\u00ed est\u00e1 para modelo, na sua Gram\u00e1tica. A primeira escrita a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Saco e Arce <em>shot first<\/em>. E at\u00e9 hoje. Mas o mundo gira. Na d\u00e9cada de 70-80, outra vez, as leis educativas de Espanha, condicionam tamb\u00e9m o modelo de galego para ensinar nas escolas. Levantam-se vozes cr\u00edticas, re\u00fanem-se no reintegracionismo.<\/p>\n<p>Toda a gente que em determinada altura da vida percebeu por si pr\u00f3pria ou por advert\u00eancia de alguma pessoa discreta arredor que algo andava errado com a l\u00edngua e come\u00e7ou a dar voltas at\u00e9 chegar a consci\u00eancia de que era necess\u00e1ria uma virada na sua pr\u00e1tica; foi tamb\u00e9m percorrendo outros e mesmos caminhos.<\/p>\n<p>Reparem. Como no fim do poema famoso de Ayras Nunes, outro caminho conv\u00e9m a buscar, que muito e de errado vai o caminho andado:<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">En Santiago, seend&#8217;albergado<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">en mia pousada, chegaron romeus.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Preguntei-os e disseron &#8211; Par Deus,<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">muito levade&#8217;lo caminh&#8217;errado!<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Ca, se verdade quiserdes achar,<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">outro caminho conv\u00e9n a buscar,<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">ca non sabem aqui dela mandado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amigo Fernando V. Corredoira, repete sempre que para educar os netos h\u00e1 que come\u00e7ar pelos av\u00f3s. E desenganem-se, n\u00f3s, estas tr\u00eas ou quatro gera\u00e7\u00f5es reunidas no esfor\u00e7o desta virada \u00e9pica e tomada de consci\u00eancia que \u00e9 o reintegracionismo, somos apenas os precursores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros av\u00f3s ser\u00e3o a rapazada nas <a href=\"https:\/\/sementecompostela.com\/projeto\/\">Sementes<\/a> ou a gente dessa gera\u00e7\u00e3o, por vez primeira alfabetizada tendo tamb\u00e9m o portugu\u00eas como l\u00edngua de refer\u00eancia e cultura.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deem licen\u00e7a e desculpem pela ousadia, pois este que escreve \u00e9 t\u00e3o analfabeto como qualquer outra das que se esfor\u00e7am na tarefa de refazer diariamente o galego como l\u00edngua escrita e de cultura. E que percorrido, o de toda a gente, autodidatas, j\u00e1 na vida adulta, com voluntarismo e n\u00e3o pouco amadorismo, transitando momentos (lembran\u00e7as, esfor\u00e7os e saudades) a normas e pr\u00e1ticas de escrita diversas. Porteiro Garea, em 1916, dava conta (esque\u00e7am isso ret\u00f3rico da ra\u00e7a) como ningu\u00e9m desse momento: Aqu\u00ed me tedes, pesaroso e triste por non corresponder a intensidade do momento: ledo e venturoso, xa que por moi <\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":63,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[13,36,37,18],"class_list":["post-102","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vozes","tag-ernesto-v-souza","tag-escrita","tag-porteiro-garea","tag-reintegracionismo","has_thumb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=102"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":176,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102\/revisions\/176"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}