{"id":166,"date":"2020-11-20T09:00:31","date_gmt":"2020-11-20T09:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/?p=166"},"modified":"2020-11-20T08:16:30","modified_gmt":"2020-11-20T08:16:30","slug":"de-volta-para-o-futuro-m-rodrigues-lapa-1978","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/2020\/11\/20\/de-volta-para-o-futuro-m-rodrigues-lapa-1978\/","title":{"rendered":"De volta para o futuro : M. Rodrigues Lapa (1978)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ainda vivia Franco; em 1969 cheguei a Madrid procedente da aldeia de Penaxubeira, concelho do \u00cdncio (Galiza). C\u00e1 estava minha irm\u00e3 e meu cunhado que tinham a encomenda de buscar-me um trabalho de \u201c<em>botones<\/em>\u201d, que era do que trabalhavam os menores legalmente no franquismo. E certamente, n\u00e3o lembro bem como, terminei servindo caf\u00e9s na cafetaria do \u201cHotel Plaza\u201d, edif\u00edcio Torre Espanha da Pra\u00e7a de Espanha de Madrid, um dos mais importantes da capital. Lembro que l\u00e1 iam dormir, e a outras cousas, os pilotos das linhas a\u00e9reas internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, aquela minha experi\u00eancia foi t\u00e3o negativa que felizmente fui expulso e terminei estudando nos Salesianos de Atocha. Neste centro de ensino privado coincidi com outro rapaz de apelido Pacheco, origin\u00e1rio da Oliven\u00e7a. Um estremenho que falava \u201cGalego\u201d. A\u00ed come\u00e7ou o meu caminho reintegracionista, eu prefiro denominar regeneracionismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com 23 anos chegou \u00e1s minhas m\u00e3os o seman\u00e1rio TEMPO de Lisboa, desaparecido faz tempo. Vendia-se num quiosque da Pra\u00e7a da Independ\u00eancia. Sem conhecimento do \u201cgalego\u201d promovido pela RAG e muito menos do galego que eu imaginava, surgiu-me a ideia de escrever um \u201capelo\u201d a Portugal. O 19 de Outubro de 1978 publica uma carta minha o seman\u00e1rio resenhado, ing\u00e9nua e quase infantil, mas com muito sentimento:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">O &#8220;GALAICO-PORTUGU\u00caS&#8221;<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Sou galego e li pela primeira vez o vosso semin\u00e1rio em Madrid. Quero esclarecer que a l\u00edngua com que escrevo \u00e9 o Galego, antigamente denominava-se &#8220;Galaico-Portugu\u00eas&#8221;. Nome com que desejo volte a denominar-se a l\u00edngua falada em Portugal e na Galiza.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Quero tamb\u00e9m agradecer publicamente ao professor Rodrigues Lapa o seu interesse pelo desenvolvimento da cultura galega quando estava entre a vida e a morte, devido \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es da ditadura do General Franco.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Quero tamb\u00e9m chamar a aten\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas pelo pouco que se <\/span><span style=\"color: #000080;\">interessou pela Galiza, pa\u00eds de onde saiu a sua l\u00edngua. Todo o portugu\u00eas dever\u00e1 saber que a l\u00edngua que hoje fala nasc\u00e9u na Galiza e no Porto de Portugal e que, se hoje existem pequenas diferen\u00e7as entre portugu\u00eas e galego, considero que no fundo s\u00e3o a mesma linguagem; as diferen\u00e7as que existem entre o portugu\u00eas e o galego n\u00e3o s\u00e3o maiores que aquelas que existem entre o ingl\u00eas da Irlanda e o ingl\u00eas dos Estado Unidos.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Quero fazer um apelo ao povo portugu\u00eas para que se solidarize com o Pa\u00eds Galego, atrav\u00e9s do seu seman\u00e1rio, podendo ser no da edi\u00e7\u00e3o nacional.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Cinco s\u00e9culos de luta do povo galego que sofre o colonialismo lingu\u00edstico espanhol; cinco s\u00e9culos n\u00e3o chegaram ainda para que o pa\u00eds da saudade, deixe de falar a gloriosa e doce l\u00edngua galega ou &#8220;Galaico-portugu\u00eas&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Pe\u00e7o aos respons\u00e1veis de TEMPO publiquem a minha curta carta e aos leitores que desejem informa\u00e7\u00f5es de Galiza se dirijam para a minha direc\u00e7\u00e3o: Xos\u00e9 Ramon Rodr\u00edguez Fern\u00e1ndez, Penaxoubeira, Rubiam de Cima (Lugo), Galiza, Espanha.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">Xos\u00e9 Ramon Rodr\u00edguez Fern\u00e1ndez<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">LUGO-GALIZA<\/span><span style=\"color: #000080;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-161 aligncenter\" src=\"https:\/\/aa.academiagalega.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/carta-moncho.jpg\" alt=\"\" width=\"516\" height=\"688\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha surpresa foi o grande n\u00famero de portugueses que se puseram em contato comigo, entre eles um tal Montezuma de Carvalho, Ricardo Coelho Iglesias e muitos outros dos que n\u00e3o lembro os nomes, infelizmente todas aquelas cartas t\u00eam desaparecido nas mil e uma mudan\u00e7as de morada que tenho realizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O 23 de Novembro do mesmo ano, o grande amigo da Galiza, M. Rodrigues Lapa, desde Anadia, escreve, no TEMPO, uma interessante carta onde d\u00e1 resposta ao meu <em>apelo<\/em>. Naquela altura n\u00e3o tinha ideia da import\u00e2ncia do autor desse coment\u00e1rio:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">CULTURA E L\u00cdNGUA GALEGA<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">No n\u00ba de 19 de Outubro do seu seman\u00e1rio, li uma carta do sr. Jos\u00e9 Ramon Rodriguez Fernandez sobre a cultura e a l\u00edngua galega, na qual vem citado o meu nome com palavras de simpatia e agradecimento. Efectivamente, ando h\u00e1 meio s\u00e9culo debru\u00e7ado sobre o problema galego e acho que esse nosso irm\u00e3o do al\u00e9m-Minho tem carradas de raz\u00e3o ao censurar-nos do pouco interesse que temos mostrado por tal problema. Sem p\u00f4r em causas o risco da fronteira, h\u00e1 um conjunto de motiva\u00e7\u00f5es que cumpre n\u00e3o esquecer: os la\u00e7os de irmandade tecidos [pela ra\u00e7a, temperamento, cultura e l\u00edngua. Somos, por isso mesmo, quer se queira quer n\u00e3o, parte do processo. \u00c9 tudo quanto se tem feito para obnubilar esta verdade fundamental perde sentido, ao aproximar-se a hora em que o povo galego vai em fim tomar conta do seu destino.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Entre os variados e complexos problemas que se v\u00e3o p\u00f4r \u00e0 considera\u00e7\u00e3o pelos governantes galegos, um dos mais graves, se n\u00e3o o mais grave, \u00e9 o da l\u00edngua. A Galiza n\u00e3o possui propriamente uma l\u00edngua sua de civiliza\u00e7\u00e3o. A que lhe foi imposta, h\u00e1 uns seis s\u00e9culos, o castelhano, \u00e9 um sistema estrangeiro. A sua l\u00edngua natural \u00e9 o portugu\u00eas, que tamb\u00e9m dever\u00e1 ser, por isso mesmo, a sua express\u00e3o liter\u00e1ria, afei\u00e7oada, naturalmente ao seu modo de ser, como sucede com o portugu\u00eas de Brasil; a eterna lei da Natureza &#8211; unidade na diversidade. H\u00e1 quem julgue que o galego, escrito h\u00e1 mais de cem anos, como estenografia do dialecto oral, poderia conquistar ainda, por si mesmo, a sua forma liter\u00e1ria. N\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel, por duas raz\u00f5es: 1 &#8211; O tempo urge, e n\u00e3o se fabrica uma l\u00edngua em andar de locomotiva; 2 &#8211; al\u00e9m disso, uma l\u00edngua assim forjada desembocaria em qualquer coisa muito semelhante ao portugu\u00eas.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Os pr\u00f3prios galegos tiveram sobre isso uma no\u00e7\u00e3o clara porque partiram de um princ\u00edpio correcto: a identidade fundamental entre o galego e o portugu\u00eas, quaisquer que fossem as diversidades secund\u00e1rias. Um deles Afonso Rodriguez Castelao, concebia uma integra\u00e7\u00e3o progressista do galego no portugu\u00eas at\u00e9 se confundir com ele. Um outro, Jo\u00e3o Vicente Viqueira, mais positivo e clarividente, resolvia o problema aconselhando o ensino obrigat\u00f3rio do portugu\u00eas nas escolas secund\u00e1rias da Galiza.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Tivemos ocasi\u00e3o de p\u00f4r a prova o m\u00e9todo de Castelao, experimentado por Ant\u00f3nio S\u00e9rgio em textos do pr\u00f3prio Castelao, segundo um crit\u00e9rio a que o escritor portugu\u00eas p\u00f4s o nome de &#8220;semi-adapta\u00e7\u00e3o&#8221;. Resultou disso uma trapalhada grotesca, sem p\u00e9s, nem cabe\u00e7a, aut\u00eantico produto de laborat\u00f3rio; e o mesmo sucedeu com a vers\u00e3o do portugu\u00eas para o galego, atrav\u00e9s da tradu\u00e7\u00e3o do poemeto &#8220;Zara&#8221;, de Antero de Quental, feita por Curros Enriquez. Fica pois provado que n\u00e3o pode haver tradu\u00e7\u00e3o nem do galego para o portugu\u00eas, nem com mais raz\u00e3o de ser, do dialecto para a l\u00edngua de cultura. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a preconizada por Viqueira, que tem a seu favor uma circunst\u00e2ncia preciosa: o ensino do portugu\u00eas nos institutos secund\u00e1rios da Galiza j\u00e1 foi criado pelo Governo espanhol por ordem de 14 de Agosto de 1973. S\u00f3 falta p\u00f4-la em execu\u00e7\u00e3o, obrigatoriamente.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">E porqu\u00ea obrigatoriamente? Por uma raz\u00e3o bem simples: n\u00e3o faz sentido que amanh\u00e3 a juventude galega seja for\u00e7ada a a aprender uma l\u00edngua estranha, e n\u00e3o seja igualmente obrigada a aprender a sua l\u00edngua natural, que \u00e9 o portugu\u00eas. J\u00e1 se pensou na excepcional vantagem que representaria para os galegos terem o pleno dom\u00ednio de duas l\u00ednguas de civiliza\u00e7\u00e3o, faladas por mais de 300 milh\u00f5es de indiv\u00edduos? Raro privil\u00e9gio, que lhes faria esquecer as mis\u00e9rias e injusti\u00e7as de 6 s\u00e9culos de apagada Hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">\u00c9 pois chegado o momento, agora que Portugal e Espanha se reconciliaram sob o signo da Democracia e da Liberdade, de reconhecer o caso espec\u00edfico da Galiza e as suas car\u00eancias em mat\u00e9ria lingu\u00edstica e cultural.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">O Governo portugu\u00eas deveria ter uma palavra a dizer sobre o assunto. Se n\u00e3o n\u00e3o for poss\u00edvel criar-se o ensino oficial do portugu\u00eas na Galiza, ao menos que que se criem, com apoio dos dois Governos, liceus por<\/span><span style=\"color: #000080;\">tugueses em cada uma das cidades galegas, irradiando por todos os meios a nossa cultura e a nossa l\u00edngua, que t\u00eam o mesmo rosto e a mesma origem. Trata-se de um reencontro entre irm\u00e3os e n\u00e3o de uma conjura contra o Estado espanhol. Que os dois Governos saibam compreender esta verdade primordial &#8211; s\u00e3o os nossos votos.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">M. Rodrigues Lapa<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">ANADIA<\/span><span style=\"color: #000080;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-162 size-full\" src=\"https:\/\/aa.academiagalega.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/carta-lapa.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"983\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1980 o amigo Ricardo Coelho Iglesias encaminha para meu endere\u00e7o de Penaxubeira o \u201cEstudos Galego-Portugueses\u201d de Rodrigues Lapa, com uma dedicat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Enfim, assim foi como conheci M. Rodrigues Lapa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-172 size-full\" src=\"https:\/\/aa.academiagalega.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Lapa_Estudosgp_dedicado.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"533\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Madrid, 12\/11\/2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda vivia Franco; em 1969 cheguei a Madrid procedente da aldeia de Penaxubeira, concelho do \u00cdncio (Galiza). C\u00e1 estava minha irm\u00e3 e meu cunhado que tinham a encomenda de buscar-me um trabalho de \u201cbotones\u201d, que era do que trabalhavam os menores legalmente no franquismo. E certamente, n\u00e3o lembro bem como, terminei servindo caf\u00e9s na cafetaria do \u201cHotel Plaza\u201d, edif\u00edcio Torre Espanha da Pra\u00e7a de Espanha de Madrid, um dos mais importantes da capital. Lembro que l\u00e1 iam dormir, e a outras cousas, os pilotos das linhas a\u00e9reas internacionais. 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