{"id":268,"date":"2020-12-22T07:23:18","date_gmt":"2020-12-22T07:23:18","guid":{"rendered":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/?p=268"},"modified":"2020-12-22T07:28:53","modified_gmt":"2020-12-22T07:28:53","slug":"racismos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/2020\/12\/22\/racismos\/","title":{"rendered":"Racismos"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif; color: #003366;\">Uma das observa\u00e7\u00f5es que me ficou mais marcada do II Encontro de Mulheres da Lusofonia que a AGLP fez na Casa da L\u00edngua Comum em 2018 \u00e9 que a quest\u00e3o da ra\u00e7a se sobrep\u00f5e \u00e0 da l\u00edngua. Foi uma das conclus\u00f5es da soci\u00f3loga e mediadora intercultural, descendente cabo-verdiana nascida em Burela, S\u00f3nia Mendes da Silva, na sua interven\u00e7\u00e3o sobre \u201cMobilidades sociais em sociedades desiguais\u201d. Habituados como estamos a uma narrativa hist\u00f3rica que vitimiza o povo galego, custa-nos identificar-nos neste reflexo que nos coloca do lado dos privilegiados. A racializa\u00e7\u00e3o de boa parte da popula\u00e7\u00e3o mundial no contexto da expans\u00e3o colonial criou estruturas que sobrevivem nas rela\u00e7\u00f5es sociais, nas institui\u00e7\u00f5es, na economia, no imagin\u00e1rio e na cultura a escala planet\u00e1ria, e a sociedade galega n\u00e3o ficou de fora desta constru\u00e7\u00e3o. A tend\u00eancia para colocarmo-nos do lado dos bons numa hist\u00f3ria de opressores e oprimidos n\u00e3o nos ajuda na compreens\u00e3o do peso que ainda tem o racismo no mundo no s\u00e9culo XXI. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #003366;\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-271 alignright\" src=\"https:\/\/aa.academiagalega.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Bethencourt-Racismos.jpg\" alt=\"\" width=\"351\" height=\"537\" \/>O livro do historiador portugu\u00eas Francisco Bethencourt<\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i> Racismos. Das cruzadas ao s\u00e9culo XX <\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><a class=\"sdendnoteanc\" style=\"color: #003366;\" href=\"#sdendnote1sym\" name=\"sdendnote1anc\"><sup>i<\/sup><\/a> \u00e9 uma ajuda para percebermos os processos hist\u00f3ricos em que se enquadraram pr\u00e1ticas segregacionistas e discursos racistas. Francisco Bethencourt<\/span><i> <\/i><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">\u00e9 <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">titular da c\u00e1tedra Charles Boxer de Hist\u00f3ria no King&#8217;s College de Londres. Charles Boxer, historiador especializado na hist\u00f3ria colonial portuguesa e holandesa, foi o autor do livro <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>Race relations in the Portuguese Colonial Empire, 1415-1825<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">, publicado em 1963, que trouxe a p\u00fablico uma perspetiva bem diferente das teorias luso-tropicalistas de Gilberto Freyre, com a sua vis\u00e3o do imperialismo portugu\u00eas como imperialismo mais benigno. Nos anos 60 a teoria de Freyre tinha-se convertido no discurso oficial do regime salazarista, inspirando as medidas legislativas adotadas pelo ministro de ultramar Adriano Moreira. A discuss\u00e3o sobre o papel de Portugal, como pot\u00eancia colonial intercontinental que foi, no espalhamento da discrimina\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do fen\u00f3tipo a escala planet\u00e1ria vem de longe. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #003366;\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">O livro apresenta algumas hip\u00f3teses de princ\u00edpio cuja discuss\u00e3o excede os limites deste coment\u00e1rio (e os meus conhecimentos acad\u00e9micos) e que deixo simplesmente enunciadas. Em primeiro lugar <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">que o racismo, entendido como combina\u00e7\u00e3o do preconceito e de a\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias, foi sempre motivado por projetos pol\u00edticos que t\u00eam como finalidade a monopoliza\u00e7\u00e3o dos recursos. Em segundo lugar, que as pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias s\u00e3o anteriores \u00e0 sua teoriza\u00e7\u00e3o; a teoria das ra\u00e7as come\u00e7ou a ser desenvolvida nos s\u00e9culos XVIII e XIX, ap\u00f3s s\u00e9culos de pr\u00e1ticas racistas sistem\u00e1ticas nas sociedades coloniais. Outro princ\u00edpio \u00e9 que para compreendermos o racismo \u00e9 preciso combinar a hist\u00f3ria social e a cultural. Seguindo esta afirma\u00e7\u00e3o o autor percorre a constru\u00e7\u00e3o do racismo atrav\u00e9s de variadas disciplinas para al\u00e9m da hist\u00f3ria, a filosofia ou a antropologia, integrando, entre outras, a cartografia e as artes. Por \u00faltimo, afirma que n\u00e3o h\u00e1 tradi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do racismo em Ocidente.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #003366;\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">O livro divide-se em cinco partes: Cruzadas, explora\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, sociedades coloniais (s\u00e9culos XVI ao XIX), teorias de ra\u00e7a (s\u00e9culos XVIII e XIX), nacionalismo e mais al\u00e9m. <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Os longos lapsos de tempo qua abrangem permitem enquadrar a constru\u00e7\u00e3o do racismo em demorados e complexos processos hist\u00f3ricos, como s\u00e3o as empresas expansionistas, e ver a sua liga\u00e7\u00e3o com as rela\u00e7\u00f5es sociais, as resist\u00eancias, as manifesta\u00e7\u00f5es culturais, as ideias e as teoriza\u00e7\u00f5es. <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Destaco alguns temas de especial interesse para o contexto galego, entre os muitos temas e epis\u00f3dios relatados neste livro panor\u00e2mico de quase seiscentas p\u00e1ginas:<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif; color: #003366;\">&#8211; O registo das pr\u00e1ticas racistas na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica desde o tempo das cruzadas e a conquista dos reinos mu\u00e7ulmanos at\u00e9 \u00e0 formaliza\u00e7\u00e3o do estatuto da limpeza de sangue, assim como o relato dos objetivos pol\u00edticos (o estabelecimento de um projeto centralista) e sociais (a necessidade de afirma\u00e7\u00e3o identidade dos crist\u00e3os velhos, imagem da pureza \u00e9tnica peninsular) de tal estatuto. A segrega\u00e7\u00e3o racial foi um instrumento para a afirma\u00e7\u00e3o das elites dos dous estados ib\u00e9ricos no contexto da guerra contra os reinos mu\u00e7ulmanos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif; color: #003366;\">&#8211; O come\u00e7o nas Cruzadas e o foco na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, o relato de como \u00e9 que as Cruzadas, a conquista dos territ\u00f3rios dos reinos mu\u00e7ulmanos e a constru\u00e7\u00e3o racializada da imagem da humanidade se cruzam. Foi como resultado deste demorado processo hist\u00f3rico que o Mediterr\u00e2neo se converteu com a expans\u00e3o europeia do s\u00e9culo XVI numa fronteira civilizacional, algo que n\u00e3o aconteceu nem com o imp\u00e9rio romano, nem com a expans\u00e3o mu\u00e7ulmana. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #003366;\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">&#8211; Derivada desta fronteira entre o norte e o sul do Mediterr\u00e2neo, a cria\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio sobre os continentes que ainda sobrevive. Em um primeiro momento este imagin\u00e1rio cristalizou na associa\u00e7\u00e3o da Europa \u00e0s artes liberais, imagem exemplificada no <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>Theatrum Orbis Terrarum<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"> de Abra\u00e3o Ort\u00e9lio (publicado em Antu\u00e9rpia, 1570, e considerado o primeiro atlas moderno) que serve de capa \u00e0 edi\u00e7\u00e3o portuguesa que aqui comento. Tamb\u00e9m na associa\u00e7\u00e3o entre a \u00c1sia e o ex\u00f3tico, com continuidade em toda a tradi\u00e7\u00e3o do orientalismo, ou na imagem duma Am\u00e9rica primordial, natural, \u00fatil para refletir sobre a civiliza\u00e7\u00e3o corrupta, t\u00e3o em boga no s\u00e9culo XVIII. Duas das perviv\u00eancias mais influintes, a meu ver, deste imagin\u00e1rio \u00e9 a cren\u00e7a na superioridade dos conhecimentos europeus e a associa\u00e7\u00e3o entre o Ocidente e a novidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif; color: #003366;\">&#8211; As tens\u00f5es entre o universalismo dos imp\u00e9rios e da Igreja como argumento de legitima\u00e7\u00e3o e as l\u00f3gicas locais, assunto sobre o que se debru\u00e7a de maneira intermitente ao longo do livro. O autor faz quest\u00e3o de destacar o papel ativo das sociedades que sofreram a coloniza\u00e7\u00e3o e a sua capacidade para contrariar ou mudar as pol\u00edticas colonizadoras, relato que n\u00e3o \u00e9 habitual na hist\u00f3ria que recebemos por via institucional. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif; color: #003366;\">&#8211; As teorias de ra\u00e7a nos s\u00e9culos XVIII e XIX, as pol\u00e9micas cient\u00edficas e a sua utiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, assim como as refer\u00eancias aos \u201cracismos internos\u201d, especialmente ao irland\u00eas, \u00e0 associa\u00e7\u00e3o entre camponeses europeus e os n\u00e3o-europeus, os racializados, no contexto duma vis\u00e3o planet\u00e1ria e hier\u00e1rquica da humanidade. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #003366;\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Embora o foco do livro n\u00e3o seja o imp\u00e9rio portugu\u00eas, a sua leitura d\u00e1 contextos para compreender o papel deste, junto ao de outros estados europeus, na constru\u00e7\u00e3o do racismo a escala planet\u00e1ria em dous momentos: a expans\u00e3o ultramarina dos s\u00e9culos XV e XVI e a coloniza\u00e7\u00e3o de \u00c1frica nos s\u00e9culos XIX e XX. Embora se possam encontrar preconceitos contra outros povos baseados na ascend\u00eancia desde a Antiguidade, esses dous momentos deram azos \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o das variedades de seres humanos como modo de justificar as hierarquias numa escala desconhecida anteriormente. Com a expans\u00e3o europeia as caracter\u00edsticas fenot\u00edpicas tornaram-se essenciais na defini\u00e7\u00e3o de tipos de humanidade, uma novidade que trouxe o mundo moderno. A escravatura existia no mundo antigo e medieval, mas cabe \u00e0 expans\u00e3o europeia a responsabilidade pela associa\u00e7\u00e3o entre escravatura e fen\u00f3tipo. Termos consci\u00eancia de como e porque se constr\u00f3i a desigualdade e tamb\u00e9m termos consci\u00eancia das estruturas que deixou na civiliza\u00e7\u00e3o a racializa\u00e7\u00e3o da humanidade \u00e9 um conhecimento necess\u00e1rio <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">para acompanharmos as discuss\u00f5es dos movimentos sociais e da academia sobre o que seja a identidade portuguesa na hist\u00f3ria e no momento presente e a participa\u00e7\u00e3o dos afrodescendentes no tecido nacional.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #003366;\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Este livro foi alvo de alguma contesta\u00e7\u00e3o na imprensa portuguesa. Se bem h\u00e1 variados estudos que desmontam a tese do imperialismo \u201cbrando\u201d, continua a haver firmes defensores da excecionalidade do imperialismo portugu\u00eas como imperialismo ecum\u00e9nico, fraterno e mesti\u00e7o. Este \u00e9, em grande medida, o discurso oficial, como ficou manifesto nas declara\u00e7\u00f5es que o presidente da rep\u00fablica fez em 2017 na<\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"> ilha de Gor\u00e9e no Senegal, antigo entreposto de tr\u00e1fico de pessoas escravizadas usado pela coroa portuguesa durante s\u00e9culos<\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">. Marcelo Rebelo de Sousa foi criticado por acad\u00e9micos e membros de movimentos c\u00edvicos <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">por aproveitar o momento para falar da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura em Portugal em vez reconhecer o papel da coroa portuguesa no tr\u00e1fico de cinco milh\u00f5es de pessoas das costas ocidentais africanas para a Europa e sobretudo para o Brasil<a class=\"sdendnoteanc\" style=\"color: #003366;\" href=\"#sdendnote2sym\" name=\"sdendnote2anc\"><sup>ii<\/sup><\/a>. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #003366;\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Para al\u00e9m da utilidade do livro para o contexto portugu\u00eas, brasileiro e africano, o livro tamb\u00e9m \u00e9 \u00fatil para o contexto espanhol na medida em que d\u00e1 outros referentes para a compreens\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o da desigualdade e a opress\u00e3o na empresa centralista espanhola, em contexto ib\u00e9rico e em contexto americano. As pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias como instrumento pol\u00edtico da monarquia hisp\u00e2nica bem mereciam um estudo sistem\u00e1tico que conseguisse dar um enquadramento pol\u00edtico ao repert\u00f3rio secular de imagens degradantes do \u201cgalego\u201d, como esbo\u00e7ado no estim\u00e1vel estudo de Xes\u00fas Caram\u00e9s Mart\u00ednez<a class=\"sdendnoteanc\" style=\"color: #003366;\" href=\"#sdendnote3sym\" name=\"sdendnote3anc\"><sup>iii<\/sup><\/a>. Tamb\u00e9m para compreender outros \u00e2ngulos de an\u00e1lise para o nosso s\u00e9culo XIX, por diversas raz\u00f5es que v\u00e3o das motiva\u00e7\u00f5es das vagas migrat\u00f3rias em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica aos usos do termo ra\u00e7a no discurso p\u00fablico, pol\u00edtico, cient\u00edfico ou liter\u00e1rio, quest\u00e3o sobre a que n\u00e3o tenho encontrado mais trabalhos sistem\u00e1ticos que o de Fernando Pereira, <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>Raza e alteridade. A reflexi\u00f3n sobre a diversidade humana na Galiza do s\u00e9culo XIX<a class=\"sdendnoteanc\" style=\"color: #003366;\" href=\"#sdendnote4sym\" name=\"sdendnote4anc\"><sup>iv<\/sup><\/a><\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">, ensaio que se debru\u00e7a sobre textos com voca\u00e7\u00e3o cient\u00edfica produzidos na Galiza deste per\u00edodo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif; color: #003366;\">O interesse por abordar a quest\u00e3o do racismo em contexto galego sup\u00f5e algumas tarefas e motiva\u00e7\u00f5es urgentes: mover o foco da produ\u00e7\u00e3o de discurso sobre a identidade para a alteridade, do diferencialismo para o sentido de comunidade; vermos a discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o como resultado de um enfrentamento \u00e9tnico mas de projetos pol\u00edticos e econ\u00f3micos, de consolida\u00e7\u00e3o dos projetos pol\u00edticos de determinadas elites, as elites guerreiras que conquistaram os reinos mu\u00e7ulmanos ib\u00e9ricos ou os banc\u00e1rios que pagaram a guerra a Franco; deixarmos de vez o relato hist\u00f3rico simplista de bons e maus e compreendermos que o nosso passado recente de povo discriminado n\u00e3o nos d\u00e1 um \u00e1libi eterno para estarmos do lado dos bons em qualquer territ\u00f3rio e circunst\u00e2ncia; entendermos a Galiza como constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que n\u00e3o pode sobreviver isolada, que precisa de viver em rela\u00e7\u00e3o com outras comunidades humanas com as que tenha afinidades e possa estabelecer alian\u00e7as na consecu\u00e7\u00e3o de objetivos comuns. \u00c9 belo o poema \u201cIrm\u00e3os\u201d de Celso Em\u00edlio Ferreiro, mas nem a irmandade \u00e9 cousa que se imponha nem o amor pelos outros \u00e9 cousa que n\u00e3o passe por conhecer o seu relato. E estarmos preparados para mudar o nosso.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #003366;\"><strong>Notas:<\/strong><\/span><\/p>\n<div id=\"sdendnote1\">\n<p class=\"sdendnote\"><span style=\"color: #003366;\"><a class=\"sdendnotesym\" style=\"color: #003366;\" href=\"#sdendnote1anc\" name=\"sdendnote1sym\">i<\/a> <span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Francisco Bethencourt, <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>Racismos. Das Cruzadas ao s\u00e9culo XX<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">, Temas e Debates, 2015 (original ingl\u00eas: <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>Racisms- From the Crusades to the Twentieth Century<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">).<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdendnote2\">\n<p class=\"sdendnote\"><span style=\"color: #003366;\"><a class=\"sdendnotesym\" style=\"color: #003366;\" href=\"#sdendnote2anc\" name=\"sdendnote2sym\">ii<\/a> <u><a style=\"color: #003366;\" href=\"https:\/\/pgl.gal\/memoria-da-escravatura-debate-publico-portugal\/\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">https:\/\/pgl.gal\/memoria-da-escravatura-debate-publico-portugal\/<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdendnote3\">\n<p class=\"sdendnote\"><span style=\"color: #003366;\"><a class=\"sdendnotesym\" style=\"color: #003366;\" href=\"#sdendnote3anc\" name=\"sdendnote3sym\">iii<\/a> <span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Xes\u00fas Caram\u00e9s Mart\u00ednez, <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>A imaxe de Galicia e dos galegos na literatura castel\u00e1<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">, Galaxia, 1993.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<div id=\"sdendnote4\">\n<blockquote>\n<p class=\"sdendnote\"><span style=\"color: #003366;\"><a class=\"sdendnotesym\" style=\"color: #003366;\" href=\"#sdendnote4anc\" name=\"sdendnote4sym\">iv<\/a> <span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Fernando Pereira, <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><i>Raza e alteridade. A reflexi\u00f3n sobre a diversidade humana na Galiza do s\u00e9culo XIX<\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">, Deputaci\u00f3n provincial da Coru\u00f1a, 2001.<\/span><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das observa\u00e7\u00f5es que me ficou mais marcada do II Encontro de Mulheres da Lusofonia que a AGLP fez na Casa da L\u00edngua Comum em 2018 \u00e9 que a quest\u00e3o da ra\u00e7a se sobrep\u00f5e \u00e0 da l\u00edngua. Foi uma das conclus\u00f5es da soci\u00f3loga e mediadora intercultural, descendente cabo-verdiana nascida em Burela, S\u00f3nia Mendes da Silva, na sua interven\u00e7\u00e3o sobre \u201cMobilidades sociais em sociedades desiguais\u201d. Habituados como estamos a uma narrativa hist\u00f3rica que vitimiza o povo galego, custa-nos identificar-nos neste reflexo que nos coloca do lado dos privilegiados. 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