{"id":326,"date":"2021-02-08T08:16:34","date_gmt":"2021-02-08T08:16:34","guid":{"rendered":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/?p=326"},"modified":"2021-02-08T10:36:24","modified_gmt":"2021-02-08T10:36:24","slug":"carvalho-calero-em-buenos-aires","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/2021\/02\/08\/carvalho-calero-em-buenos-aires\/","title":{"rendered":"Carvalho Calero em Buenos Aires"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em 1977 come\u00e7am os cursos de l\u00edngua no Centro Galego de Buenos Aires e <em>A gente da Barreira<\/em> de Ricardo Carvalho Calero \u00e9 a leitura b\u00e1sica, reintegrada a ortografia do l\u00e9xico, que na altura era o mais apurado de todo o panorama liter\u00e1rio galego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos andados, Jos\u00e9 Posada, empres\u00e1rio galeguista e depois parlamentar europeu, de passo por Buenos Aires (1) iniciou o di\u00e1logo da di\u00e1spora local com a AGAL, l\u00e1 dirigida pela sua mulher, a Dr.a Maria do Carmo Henr\u00edquez Salido. Isso resultaria na convocat\u00f3ria por parte da AGAL do I Congresso Internacional da L\u00edngua Galego-portuguesa na Galiza, Ourense, no setembro do 1984. Mas antes brotou o I Simp\u00f3sio Internacional da L\u00edngua Galego-portuguesa, em Buenos Aires os dias 12 e 13 de agosto de 1983, na biblioteca do Centro Galego. Da Galiza veio a Dr.a M.a do Carmo Henr\u00edquez, que aturou a parte mais esfor\u00e7ada e onerosa da organiza\u00e7\u00e3o. Houve assistentes de Portugal, Catalunha e Argentina. O bom \u00eaxito trouxe um vento que levou para o I Congresso Internacional de Ourense, fito decerto mais importante na hist\u00f3ria galega. Mas o Congresso de 1984, realmente internacional, por sua vez suscitou a vontade de fazer um segundo simp\u00f3sio platino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convocou-se o II Simp\u00f3sio Internacional da L\u00edngua Galego-portuguesa para agosto de 1985, dedicado \u00e0 mem\u00f3ria de Rosalia de Castro. Em 1937, na guerra, n\u00e3o se celebrou o centen\u00e1rio do nascimento e n\u00e3o se quis deixar passar o do passamento sem honr\u00e1-la. O simp\u00f3sio esteve marcado pelos seus presidentes de honra, Dr. Ricardo Carvalho Calero e Dr.a M.a do Carmo Henr\u00edquez. Chegaram o 22 de agosto, \u00e0s 11 hs. Ele vinha recomendado pela fam\u00edlia por raz\u00f5es de idade, que na altura n\u00e3o eram t\u00e3o claras como o tempo revelou. Abriu-se o mesmo dia 22 \u00e0s 18, na biblioteca do anterior, do Instituto Argentino de Cultura Galega, parte do Centro Galego portenho. O lugar ficou transbordado de assistentes e enchidos os corredores pr\u00f3ximos. Dentro estavam as autoridades da casa, o claustro da Universidade de Buenos Aires e os meios, entre eles a ag\u00eancia EFE.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-323 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/aa.academiagalega.org\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/II-Simposio-Internacional-da-Lingua-Galego-Portuguesa-1024x625.jpg\" alt=\"\" width=\"730\" height=\"446\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente de Amigos do Idioma Galego, Dr. Fiz Fern\u00e2ndez, abriu-o salientando a transcend\u00eancia do evento, a estatura intelectual e moral do Prof. Carvalho Calero e a flamejante presen\u00e7a da Dra. Henr\u00edquez Salido. A seguir Carvalho Calero iniciou os contributos a falar na editora\u00e7\u00e3o do poema Sil\u00eancio!, de <em>Folhas Novas<\/em>. \u00c9 penoso n\u00e3o se ter gravado as palestras; e essa n\u00e3o se l\u00ea na bibliografia. Depois o poeta Carlos Penelas exp\u00f4s nas Vis\u00f5es de Rosalia. Ao cabo a Dr.a Henr\u00edquez Salido falou na l\u00edngua galega nas gram\u00e1ticas do tempo dos Cantares Galegos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O 23 o poeta Rodolfo Alonso falou na l\u00edngua liter\u00e1ria, a identidade e a vig\u00eancia social da cria-\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. Eu falei no mist\u00e9rio do poema Adiante! de Folhas Novas e a Dr.a Henr\u00edquez Salido tratou da constitui\u00e7\u00e3o da l\u00edngua padr\u00e3o na Galiza. Encerrou a jornada o Prof. Carvalho Calero expondo as suas pesquisas sobre a forma\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Rosalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo dia, 24, o jornalista e escritor Denis Conles tratou da cronologia da obra rosaliana. O romanista catal\u00e3o Abili Bassets destacou a presen\u00e7a de Rosalia na Catalunha do seu tempo e do posterior. A seguir a Dr.a Henr\u00edquez Salido analisou os versos de A Gaita Galega dos Cantares Galegos na perspetiva s\u00f3cio-lingu\u00edstica e da gram\u00e1tica generativa. Depois Julieta Gomez Paz leu seu \u201cRosalia em Pimentel\u201d. Encerrou Carvalho Calero com \u201cA import\u00e2ncia hist\u00f3rica da obra de Rosalia\u201d. O fundo e forma da palestra final atingiu um calor dif\u00edcil de transmitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simp\u00f3sio era \u201cato de beber juntos\u201d. Para merecer o nome acabou nos brindes de uma ceia de centos de pessoas no restaurante El Orensano, diante do Centro Galego, que j\u00e1 n\u00e3o existe. O simp\u00f3sio n\u00e3o foi a sua \u00fanica atividade em Buenos Aires. O 27 de agosto o professor falou na Sociedade Argentina de Escritores sobre o eco crescente de Rosalia no \u00e2mbito internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Roto o sil\u00eancio conspirativo com as honras em 2020 no dia das Letras Galegas, quero contribuir \u00e0s do que por d\u00e9cadas foi proscrito por ser um vidente entre cegos. Mas, que se pode dizer que os bons e generosos j\u00e1 n\u00e3o saibam? Pouco presta repetir o consabido. Desses dias tenho outras pegadas na mem\u00f3ria. Certo \u00e9 que os que tivemos trato espor\u00e1dico pendemos a avaliar as breves viv\u00eancias com mais cobi\u00e7a do que os que tiveram a fortuna de trat\u00e1-lo por anos. Exagero o valor das mem\u00f3rias, mas \u00e9 inevit\u00e1vel orgulhar-se de ser testemunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de v\u00ea-lo, li-o. O primeiro que lembro \u00e9 o pr\u00f3logo \u00e0s obra completa de Cabanilhas, editadas no Centro Galego de Buenos Aires em 1959. Na fac\u00fandia barroca notava-se o amor \u00e0 l\u00edngua. Como disse, no \u201977, nos cursos de galego estud\u00e1vamos a limpa l\u00edngua de A Gente da Barreira. Depois cruzei com ele cartas sobre assuntos lingu\u00edsticos, que tenho de rebuscar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira vez que o vi foi no outono de 1984, no I Congresso Internacional da L\u00edngua Galego-portuguesa na Galiza. Baixo, atilado, olhar agudo, singelo e af\u00e1vel, dignidade natural. Falar preciso pesando as palavras. Lembro conversas nos jantares e ceias no comedor do Hotel San Martin, sempre na companhia da sua mulher, e as magistrais interven\u00e7\u00f5es no congresso. Tenho comigo um exemplar dedicado do livro Letras Galegas, editado pola AGAL e ent\u00e3o apresentado. Queixava-se de nas pressas n\u00e3o lhe terem posto colof\u00e3o. Na dedicat\u00f3ria h\u00e1 um lapso: \u201cAo bom amigo Higino Martinez Estevez, ao conhec\u00ea-lo de vista em Ourense, o 19 de agosto de 1984. R. Carvalho\u201d. Era 19 de outubro; lapsos de s\u00e1bio sumido no pensamento, mas atento a do interlocu-tor. Quisera evocar cada uma dessas conversas, mas a mem\u00f3ria \u00e9 fraca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos dias do simp\u00f3sio de 1985 lembro as conversas nas comidas no meu lar e no restaurante Sorrento da rua Corrientes. E visitas a diplomatas para falar no caso galego, ent\u00e3o pouco vis\u00edvel. Vejo sua viva defesa do amor como valor irredut\u00edvel, hip\u00f3teses a respeito de poemas rosalianos, pesquisas na vida da poeta e etimologias. Fal\u00e1vamos com o d\u00f3 dos filhos do s\u00e9c. XX pola decad\u00eancia do cinema como fen\u00f3meno social. A palavra s\u00f3bria, nada enf\u00e1tica, interrogante na busca do matiz. Acusada caracter\u00edstica sua era que escut\u00e1-lo tinha o mesmo efeito que l\u00ea-lo. Mais f\u00e1cil surgem outras mem\u00f3rias n\u00e3o convocadas. Por caso, gostou muito do linguado ao queijo azul e da tarta de leite preso, tam naturalizados na cozinha do Rio da Prata. A viajar sem a insepar\u00e1vel companheira, inculcaram-nos acompanh\u00e1-lo e proteg\u00ea-lo zelosamente, e isso foi um prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A derradeira vez que o vi foi no outono de 1987, no II Congresso da AGAL. Como sinal de partida, a imagem a vir-me \u00e9 a solene de ele a falar no paraninfo da Universidade de Santiago abrindo o Congresso com a pompa e circunst\u00e2ncia merecidas. Ocorrem-me depois as socr\u00e1ticas caminhadas polas ruas de Santiago. \u00c9ramos v\u00e1rios os mo\u00e7os a caminhar com ele: Montero Santalha, Monterroso, Gil Hern\u00e2ndez, Estraviz e outros que perdoar\u00e3o o esquecimento. Na Porta Faxeira, pola rua do Vilar, sentados numa cafetaria, ou caminho da sua casa. Falava-se do presente e do futuro da reintegra\u00e7\u00e3o. Comunicava paz, n\u00e3o a enervante, ao inv\u00e9s, uma serenidade de olhos abertos para organizar as for\u00e7as com efic\u00e1cia sem despesas in\u00fateis. Acautelava-nos de ter a ast\u00facia necess\u00e1ria e empenhar o esfor\u00e7o preciso no confronto, que a alternativa n\u00e3o era a vit\u00f3ria de outros, sen\u00e3o a morte da Galiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vazio que deixou foi inesperadamente duro. Al\u00e9m do afeto que sabia ganhar, a aus\u00eancia veio ser muito sentida pela condi\u00e7\u00e3o de guia numa navega\u00e7\u00e3o sem b\u00fassola com poucas estrelas, como elo generacional, pai bom e autor fecundo at\u00e9 o derradeiro dia. Mas sabe-se que o tempo acalma dores e estagna feridas, e os disc\u00edpulos a crescer sempre madurecem. Com certeza sabemos tamb\u00e9m que a sua obra continuar\u00e1 a falar com toda a voz por muito tempo e que como semente vi\u00e7osa germinar\u00e1 e frutificar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOTAS:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1 Talvez movido pelo declara\u00e7\u00e3o dos Amigos do Idioma Galego de outubro de 1982 em Buenos Aires: A \u00daNICA L\u00cdNGUA PR\u00d3PRIA DOS GALEGOS \u00c9 O IDIOMA GALEGO. Redigido no reintegrado de ent\u00e3o, transcreve-se em anexo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Declara\u00e7om dos Amigos do Idioma Galero Buenos Aires, outubro de 1982<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\"><strong style=\"text-align: justify;\">A \u00daNICA L\u00cdNGUA PR\u00d3PRIA DOS GALEGOS \u00c9 O IDIOMA GALEGO<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Os que subscrevemos esta declara\u00e7om, galegos de Buenos Aires AMIGOS DA L\u00cdNGUA GALEGA, \u00e0 que amamos porque amamos a nossa identidade e da que reivindicamos o direito de sermos defensores;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">CONSCIENTES de estarmos vivendo num-a encruzilhada hist\u00f3rica decisiva para a sobreviv\u00eancia da l\u00edngua que herdamos dos nossos devanceiros, e, j\u00e1 que logo, para a sobreviv\u00eancia do mesmo povo galego como sujeito da hist\u00f3ria com identidade de seu;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">SABEDORES de que somente se salva e sobrevive quem aceita em pleno a pr\u00f3pria identidade, \u00fanica realidade profunda; de que esta se define num-a cultura espec\u00edfica no espa\u00e7o e no tempo; de que a cultura pr\u00f3pria se cifra na l\u00edngua concreta que a encarna como visom do mundo e como atividade sobre o mundo; ESPERAN\u00c7ADOS coas imponder\u00e1veis possibilidades que oferecem as novas normas [pr\u00e9]auton\u00f3micas, que, mal que reticentes e t\u00edmidas, contodo in\u00e9ditas no atingente a ensino e proposta de uso normal da l\u00edngua materna; ALARMADOS polas ominosas not\u00edcias, que quase nom podemos crer, de intentos de empregar os poderes auton\u00f3micos e o peso das institui\u00e7ons contra a l\u00edngua e o povo galegos represando a mar\u00e9 crescente da normaliza\u00e7om, que a mocidade precipita e impom, e legiferando um programa biling\u00fcista que \u00e9 um preservar a paz do raposo no galinheiro;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">CARREGADOS co peso de certa tradi\u00e7om de exemplaridade que exercera outrora e por anos a comunidade galega de Buenos Aires perante o povo da Terra;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">APERCEBIDOS de manobras para aproveitar dessa exemplaridade por parte dalgum elemento desligado desta comunidade que, fingindo representar os emigrados, tem feito apresenta\u00e7ons formais na Terra aconselhando o rejeito da l\u00edngua pr\u00f3pria, dum jeito tam abraiante que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel explic\u00e1-lo polo prop\u00f3sito de ver se se pode ferir e abater o esp\u00edrito exultante das novas gera\u00e7ons galegas; e<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">DISPOSTOS a p\u00f4r os meios que forem necess\u00e1rios e eficazes para assegurar a continuidade da nascente normaliza\u00e7om da l\u00edngua galega, que hoje se v\u00ea comprometida polos esfor\u00e7os concertados de quem nom querem que n\u00f3s sejamos n\u00f3s, \u00e9 que fazemos um afervoado convite a compatriotas e amigos, onde quer que residam, e \u00e0s institui\u00e7oes da Terra e de fora, para que do profundo do cora\u00e7om e sem reservas declarem connosco que:<\/span><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"color: #000080;\">A \u00daNICA L\u00cdNGUA PR\u00d3PRIA DOS GALEGOS \u00c9 O IDIOMA GALEGO. O galego vivera normal e exclusivo no territ\u00f3rio da Galiza atual at\u00e9 o s\u00e9culo XV, e vive ainda hoje nessas condi\u00e7ons no que foi a Galiza do Sul, a que co tempo e a expansom territorial chegaria a ser Portugal. O galego falado hoje dentro dos lindes do estado espanhol apenas sobrevive, do ponto de vista org\u00e2nico, desde que no s\u00e9culo XV come\u00e7ou a ser sistematicamente proscrito dos \u00e2mbitos da cultura superior e progressivamente tolhido pola l\u00edngua oficial. Apesar de todas as travas ensaiadas e exercidas, o galego continua a ser o meio habitual de comunica\u00e7om do 80% dos habitantes de Galiza. A persist\u00eancia vegetal do galego e a simult\u00e2nea indefensom ativa ante a presen\u00e7a do castelhano criarom no seio do galego um-a s\u00e9rie de falares que nom deixam identific\u00e1-los coa l\u00edngua galega a normalizar, e da que somente som achegamentos parciais, apoios na realidade dos que partir.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000080;\">PARA TIRAR O POVO GALEGO DO SEU MARASMO SECULAR \u00c9 PRECISO NORMALIZAR A L\u00cdNGUA EM CHEIO, despenalizando o seu uso, espalhando-a cum ensino ativamente estimulado, levando-a a todo \u00e2mbito e n\u00edvel, apurando-a das esc\u00f3rias \u00e0 for\u00e7a nela inseridas e fornecendo-a das estruturas cristalizantes que lhe permitam realimentar-se em qualquer disciplina. Todo intento de frear a restaura\u00e7om ling\u00fc\u00edstica a partir da estat\u00edstica, ou de posi\u00e7ons pseudocient\u00edficas que rejeitam toda no\u00e7om de valor no social, todo intento de estagnar o galego no marasmo das suas lazeiras, toda viol\u00eancia para consagrar o \u201cstatus quo\u201d, somente serve \u00e0 causa da perda do galego.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000080;\">PARA NORMALIZAR A L\u00cdNGUA CUMPRE ESPERTAR NELA A MEM\u00d3RIA DO QUE FOI QUANDO S\u00c3, o que automaticamente assinalar\u00e1 todo canto de esp\u00fario atura hoje. Por fortuna, a Universidade, cum-a maci\u00e7a inscri\u00e7om em Filologia Rom\u00e2nica, fai esse labor de retorno \u00e0s fontes. Contudo, nom avonda a volta \u00e0s fontes e a apura\u00e7om dos tecidos tumorosos, o qual tam somente constitui a primeira fase do caminho a percorrer. Ficar nisso importaria um-a simples regressom, um arca\u00edsmo rom\u00e2ntico per\u00f3 infrutuoso. Tem-se de fazer o caminho de sa\u00edda para o futuro, o caminho que algum-a vez nom se percorreu, e para isso, apesar das resist\u00eancias inconscientes que todos levamos e que nos foram instiladas durante cinco s\u00e9culos.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000080;\">TEMOS DE LHE PROPOR AO GALEGO O MODELO DAS GALHAS S\u00c3S DA \u00c1RVORE \u00c0 QUE PERTENCE para assim resolver cada incerteza entre variantes, tantas vezes multiplicadas no curso de s\u00e9culos sem c\u00e2non escrito, e para encher as lacunas de vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico. Neste campo nom h\u00e1 alternativa fora do castelhano e do portugu\u00eas, e a escolha ter\u00e1 de ser medida nas suas conseq\u00fcencias. Optar o castelhano como l\u00edngua subsidi\u00e1ria, al\u00e9m do que apresenta de incoerente por ser l\u00edngua diferente, importa assegurar o processo de degluti\u00e7om e dialetaliza\u00e7om do galego por parte da l\u00edngua do estado. Optar o portugu\u00eas para subsidiar vazios \u00e9 recorrer a um codialeto da mesmqa l\u00edngua per\u00f3 gera resist\u00eancias internas fort\u00edssimas, resist\u00eancias que som o produto final da longamente induzida divisom da alma galega. H\u00e1 nos galegos um-a sorte de esquizofrenia: duas almas coexistem em n\u00f3s, j\u00e1 ocultamente, j\u00e1 em conflito mais ou menos manifesto. \u00c0s vezes um-a delas \u00e9 inconsciente e finda por possuir o sujeito; outras, debatem-se em pugna surda de conseq\u00fc\u00eancias tr\u00e1gicas. A indecisom galega e as incoer\u00eancias galegas provenhem deste duro conflito.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000080;\">A NORMALIZA\u00c7OM TEM DE SER FEITA POLOS GALEGOS E DESDE O MESMO GALEGO, num processo gradual per\u00f3 constante, sem resignar nenhum dos elementos legitimamente peculiares do galego, isto \u00e9, retendo todo aquilo que nom foi inserido pola transcultura\u00e7om castelhanizante ou produzido pola paralisia org\u00e2nica que lhe sobreveo a conseq\u00fc\u00eancia dela. Cumpre sublinhar que o objeto e os agentes da normaliza\u00e7om tenhem de ser galegos, e cumpre sublinh\u00e1-lo porque somente na clareza de objetivos se podem atingir logros. Ainda que pare\u00e7a estranho, h\u00e1 quem, com certa simplicidade, supom que a meta a alcan\u00e7ar \u00e9 um idioma uni-forme, cujo padrom seria talvez Coimbra, Lisboa ou Rio, desconhecendo que mesmo dentro desse portugu\u00eas normal coexistem, como em todo idioma moderno espalhado polo mundo, numerosas variantes locais e dialetos fortemente perfilados, estilos e formas culturais particulares, que nom impedem a comunica\u00e7om b\u00e1sica escrita. \u00c9 que nom \u00e9 a reintegra\u00e7om um-a substitui\u00e7om dum-a l\u00edngua por outra, nem mesmo dum falar por outro; \u00e9 a viagem do galego polas suas \u00e0s suas pr\u00f3prias fontes hist\u00f3ricas e o retorno desde esse passado para um futuro de l\u00edngua desenvolvida. Nesta segunda parte da viagem ter\u00e1 sem d\u00favida a companhia dos falares portugueses \u2013 os seus codialetos na mesma grande l\u00edngua galego-portuguesa \u2013, per\u00f3 o protagonista ser\u00e1 ele mesmo, paulatinamente apurado e enobrecido e, assemade, id\u00eantico no tempo.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000080;\">A NORMALIZA\u00c7OM DEVE FUNDAR-SE NO CONSENSO COLETIVO. Todo intento clandestino dos poderes governativos ou institucionais de ditar normas arbitr\u00e1rias de costgas \u00e0 vontade popular ou que nom se acordem co impar\u00e1vel renascimento galego, somente servir\u00e1 para atrasar a solu\u00e7om. No entanto, receber\u00e1 a resposta condigna do povo galego. A estigmatiza\u00e7om dos seus autores.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000080;\">O CONSENSO SOMENTE PODER\u00c1 SER LOGRADO SOBRE BASES CIENT\u00cdFICAS e coa participa\u00e7om ativa de todos aqueles que tenhem compet\u00eancia para a tarefa. Galiza conta hoje cos ling\u00fcistas de que antes carecia. A Universidade veo a mudar criticamente o estado das cousas neste campo. Cumpre estimular este processo e nom enerv\u00e1-lo, como f\u00e2m os que tencionam legislar de costas \u00e0 realidade opondo-se \u00e0 convocat\u00f3ria dum Congresso da L\u00edngua Galega.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Se som dados estes passos, a longa travessia do povo galego atrav\u00e9s da noite estar\u00e1 a concluir. E nom \u00e9 que nom saibamos que afinal triunfaremos, per\u00f3 \u00e9 que quij\u00e9ramos que fosse aginha e que fossem as atuais gera\u00e7ons as que gozassem da alvorada que tem de chegar. Para isso, sem ego\u00edsmos v\u00e3os e com puro amor \u00e0 p\u00e1tria, comprometemo-nos e convidamos a comprometer-se \u00e0 tarefa de fazer do galego a l\u00edngua mais criativa do s\u00e9culo XX e do vindoiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Conselho orientador: Dr. Fiz A. Fern\u00e2ndez, Prof. Julieta G\u00f3mez Paz, Dr. Perfeito L\u00f3pez Romero, Higino Mart\u00ednez Est\u00e9vez, L.do Jos\u00e9 Mart\u00ednez Romero, Dr. Ant\u00f3nio P\u00e9rez Prado, Dr. German Quintela N\u00f3voa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Junta organizadora: Presidente Ang\u00e9lica Fontenla, secret\u00e1rio Lu\u00ecs Mart\u00ednez, Alice M. de Carrau, Maria Ant\u00f3nia Luna, Esther V\u00e1squez de Ruiz, Manuel Ucha, Jos\u00e9 B. Abraira.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1977 come\u00e7am os cursos de l\u00edngua no Centro Galego de Buenos Aires e A gente da Barreira de Ricardo Carvalho Calero \u00e9 a leitura b\u00e1sica, reintegrada a ortografia do l\u00e9xico, que na altura era o mais apurado de todo o panorama liter\u00e1rio galego. Anos andados, Jos\u00e9 Posada, empres\u00e1rio galeguista e depois parlamentar europeu, de passo por Buenos Aires (1) iniciou o di\u00e1logo da di\u00e1spora local com a AGAL, l\u00e1 dirigida pela sua mulher, a Dr.a Maria do Carmo Henr\u00edquez Salido. Isso resultaria na convocat\u00f3ria por parte da AGAL do I Congresso Internacional da L\u00edngua Galego-portuguesa na Galiza, Ourense, no <\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":320,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[41,71,18,20],"class_list":["post-326","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-memoria","tag-agal","tag-higino-martins-esteves","tag-reintegracionismo","tag-ricardo-carvalho-calero","has_thumb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/326","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=326"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/326\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":337,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/326\/revisions\/337"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}