{"id":370,"date":"2021-04-14T06:21:26","date_gmt":"2021-04-14T06:21:26","guid":{"rendered":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/?p=370"},"modified":"2021-04-14T06:30:06","modified_gmt":"2021-04-14T06:30:06","slug":"a-proclamacao-da-segunda-republica-espanhola-no-romance-scorpio-1987-de-carvalho-calero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/2021\/04\/14\/a-proclamacao-da-segunda-republica-espanhola-no-romance-scorpio-1987-de-carvalho-calero\/","title":{"rendered":"A proclama\u00e7\u00e3o da segunda rep\u00fablica espanhola no romance Sc\u00f3rpio (1987) de Carvalho Calero"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando se proclamou e instaurou o regime da segunda rep\u00fablica espanhola, em 14 de abril de 1931, Ricardo Carvalho Calero (Ferrol 1910 &#8211; Santiago de Compostela 1990) era um estudante universi\u00e1rio do \u00faltimo curso da Faculdade de Direito na Universidade de Santiago de Compostela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No prel\u00fadio do regime republicano<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-376 alignright\" src=\"https:\/\/aa.academiagalega.org\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/fue.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"234\" \/>Nos anos finais da sua carreira universit\u00e1ria de Direito, que vieram a coincidir com os tempos finais da monarquia de Alfonso XIII, Carvalho foi (como tem exposto bem documentadamente Ernesto V\u00e1zquez Souza) figura destacada no movimento estudantil compostelano, especialmente no seio da FUE (\u00abFederaci\u00f3n Universitaria Escolar\u00bb), de cujo grupo compostelano foi algum tempo presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jovem Carvalho converteu-se ent\u00e3o num dos nomes mais prestigiosos do mundo estudantil. A ele foi encomendado um discurso na abertura do ano acad\u00e9mico 1930-1931, que seria editado num folheto pela pr\u00f3pria Universidade no mesmo ano 1930 (D<em>iscurso [&#8230;] en la apertura del curso de 1930 a 1931<\/em>), no qual exigia a galeguiza\u00e7\u00e3o da Universidade de Santiago:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEn esta hora jubilosa en que parece que los pueblos que integran el estado espa\u00f1ol acusan con m\u00e1s relieve que nunca su af\u00e1n de personalidad y su ansia de vida propia, la clase escolar gallega aut\u00e9ntica cree cumplir un deber ineludible solicitando por mi boca la galleguizaci\u00f3n de su Universidad. Galicia existe; y por existir tiene deecho a tener una cultura propia; y para ello es preciso que tenga un centro propio de cultura. Aspiramos a crear una vida universitaria aut\u00e9nticamente gallega; aspiramos a obtener un esp\u00edrito gallego en las aulas de la Universidad. El primer paso hacia esos ideales es lograr que en nuestras c\u00e1tedras coexista oficialmente con el castellano nuestra lengua vern\u00e1ncula\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos in\u00edcios do ano 1931 recebeu, de parte do movimento estudantil, muito ativo naqueles dias anteriores \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o do regime republicano, o encargo de preparar um informe sobre um incidente da for\u00e7a p\u00fablica no edif\u00edcio da Universidade; este informe, redigido em tom sereno, editar-se-ia pouco depois, antes ainda de chegar a rep\u00fablica: <i>La fuerza p\u00fablica en la Universidad de Santiago: datos y documentos<\/i> (1931).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-375 \" src=\"https:\/\/aa.academiagalega.org\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/scorpio_medusa_soteloblanco-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"400\" \/><b>No romance <\/b><i><b>Sc\u00f3rpio<\/b><\/i><br \/>\nO romance <i>Sc\u00f3rpio<\/i> (1987) de Carvalho Calero \u00e9 uma narrativa de car\u00e1cter hist\u00f3rico e em grande medida autobiogr\u00e1fico. No seu desenvolvimento podemos ir seguindo a biografia do seu autor, mas tamb\u00e9m a hist\u00f3ria pol\u00edtico-cultural galega e espanhola desse tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo 44 da primeira parte descreve, em boca de \u201cum estudante\u201d an\u00f3nimo (que representa, neste caso, um <i>alter ego<\/i> do pr\u00f3prio Carvalho), as horas em que se divulgou em Santiago a not\u00edcia da instaura\u00e7\u00e3o do regime republicano. Estamos na tarde da ter\u00e7a-feira 14 de abril de 1931. Dois dias antes, no domingo 12 de abril, celebraram-se elei\u00e7\u00f5es municipais, com vit\u00f3ria das candidaturas republicanas nas principais cidades espanholas.<br \/>\n<i><b><\/b><\/i><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><b>Um estudante:<\/b><\/i><br \/>\n<i> Sa\u00edmos tumultuosamente da casa de Dom\u00ednguez quando o nosso anfitriom conseguiu comunica\u00e7om co seu primo de Madrid e este lhe dixo que o Minist\u00e9rio da Governa\u00e7om fora ocupado polos republicanos e que desde o balcom se proclamara a Rep\u00fablica.<\/i><br \/>\n<i> Nom sab\u00edamos se ter\u00edamos que assaltar o pa\u00e7o de Raj\u00f3i. Cando chegamos \u00e0 pra\u00e7a do Obradoiro, j\u00e1 havia nela muita gente, e polo Franco, pola avenida de Raj\u00f3i, por Hortas e Carretas, por San Francisco, pola Azevicharia aflu\u00edam novos grupos. Pronto a pra\u00e7a estivo quase cheia de pessoas, e come\u00e7arom a aparecer entre elas bandeiras republicanas. Dizia-se que os concelhais republicanos eleitos estavam negociando coas autoridades municipais saintes.<\/i><br \/>\n<i> De s\u00fabito, um grupo de pessoas apareceu no balcom principal e foi i\u00e7ada no hastil umha grande bandeira tricolor em meio das aclama\u00e7ons da multitude. O que ia ser o primeiro Alcalde republicano pronunciou um discurso em que deu conta do triunfo geral das candidaturas republicanas em toda Espanha, da proclama\u00e7om da Rep\u00fablica em Madrid e da ordem e disciplina com que todos os acontecimentos se estavam produzindo.<\/i><br \/>\n<i> Logo, um home de volumosa presen\u00e7a e barbas pimargallianas. a quem bem conhecia eu como velho republicano que ele era, tomou a palavra, e declarou que aquel era o dia mais feliz da sua vida, e que j\u00e1 podia morrer tranquilo, porque a democracia e a liberdade reinavam no pa\u00eds, e em breve haviam de ser lembran\u00e7a esmorecente os vergonhentos anos da Monarquia, c\u00famplice da Ditadura.<\/i><br \/>\n<i> Todos aplaudimos com frenesi, e dando vivas e morras espalhamo-nos polos caf\u00e9s e as tabernas para celebrar o triunfo.<\/i><br \/>\n<i> (Sc\u00f3rpio, 1987, cap\u00edtulo 1.44).<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cDom\u00ednguez\u201d que a\u00ed achamos \u00e9 o nome desfigurado do compostelano Domingos Garcia-Sabell, figura ent\u00e3o destacada do movimento estudantil, quem depois da guerra civil, convertido ao galeguismo chegaria a ser uma personalidade importante do grupo de Gal\u00e1xia e acabaria sendo presidente da Real Academia Galega e tamb\u00e9m, no campo das responsabilidades pol\u00edticas, Delegado do governo espanhol na Galiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O futuro alcalde de Santiago era Raimundo L\u00f3pez Pol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A Real Academia Galega deixou de ser \u00abReal\u00bb<\/b><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-374 size-full alignright\" src=\"https:\/\/aa.academiagalega.org\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Academia-gallega.png\" alt=\"\" width=\"254\" height=\"239\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito da Real Academia Galega h\u00e1 aqui um dado curioso. A instaura\u00e7\u00e3o do regime republicano teve uma consequ\u00eancia imediata: na sua denomina\u00e7\u00e3o oficial (\u00abReal Academia Gallega\u00bb) deixou ent\u00e3o cair a qualifica\u00e7\u00e3o de <i>Real<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu <i>Bolet\u00edn <\/i>n\u00famero 231, correspondente a \u201c1.\u00ba Abril de 1931\u201d, \u00faltimo portanto da \u00e9poca mon\u00e1rquica, aparece ainda o t\u00edtulo de \u00abReal\u00bb: <i>Bolet\u00edn de la Real Academia Gallega<\/i>. Mas no n\u00famero seguinte, 232, correspondente a \u201c1.\u00ba Junio de 1931\u201d, primeiro da \u00e9poca republicana, foi j\u00e1 suprimido esse t\u00edtulo: <i>Bolet\u00edn de la Academia Gallega<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em \u00e9poca franquista a RAG retomaria o velho qualificativo. No <i>Bolet\u00edn <\/i>n\u00famero 264, correspondente a \u201cEnero 1942\u201d reaparece novamente o t\u00edtulo de \u00abReal\u00bb: <i>Bolet\u00edn de la Real Academia Gallega<\/i>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se proclamou e instaurou o regime da segunda rep\u00fablica espanhola, em 14 de abril de 1931, Ricardo Carvalho Calero (Ferrol 1910 &#8211; Santiago de Compostela 1990) era um estudante universi\u00e1rio do \u00faltimo curso da Faculdade de Direito na Universidade de Santiago de Compostela. No prel\u00fadio do regime republicano Nos anos finais da sua carreira universit\u00e1ria de Direito, que vieram a coincidir com os tempos finais da monarquia de Alfonso XIII, Carvalho foi (como tem exposto bem documentadamente Ernesto V\u00e1zquez Souza) figura destacada no movimento estudantil compostelano, especialmente no seio da FUE (\u00abFederaci\u00f3n Universitaria Escolar\u00bb), de cujo grupo compostelano foi <\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":144,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[34,82,81,20,80],"class_list":["post-370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-leituras","tag-jose-martinho-montero-santalha","tag-real-academia-galega-1931-42","tag-republica-espanhola","tag-ricardo-carvalho-calero","tag-scorpio","has_thumb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":377,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370\/revisions\/377"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}