{"id":89,"date":"2020-11-10T09:45:21","date_gmt":"2020-11-10T09:45:21","guid":{"rendered":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/?p=89"},"modified":"2020-11-10T09:56:15","modified_gmt":"2020-11-10T09:56:15","slug":"carvalho-calero-o-problema-ortografico-1985","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aa.academiagalega.org\/index.php\/2020\/11\/10\/carvalho-calero-o-problema-ortografico-1985\/","title":{"rendered":"Carvalho Calero : &#8220;O problema ortogr\u00e1fico&#8221; (1985)"},"content":{"rendered":"<div class=\"paratextTab contentText\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero dous do \u00f3rg\u00e3o da AGAL, a revista <a href=\"https:\/\/a.gal\/revista-agalia\/\"><em>Ag\u00e1lia,<\/em><\/a> ver\u00e3o 1985, abria com um artigo de Ricardo Carvalho Calero. Nele, no seu estilo rigoroso e elucidativo, sintetizava um esquema do momento e da tradi\u00e7\u00e3o escrita da l\u00edngua galega, considerava o sentido e oportunidade de uma virada e formulava as raz\u00f5es, teses e estrat\u00e9gias da proposta reintegracionista na altura:<\/p>\n<div style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #333399;\">Os imobilistas, de um jeito ou outro, com matizes mais ou menos acusados, o que pretendem -muitas vezes sem ter plena consci\u00eancia disso-\u00e9 que utilizemos a ortografia castelhana. Durante muitos s\u00e9culos, o galego foi umha l\u00edngua puramente oral, na qual nom s\u00f3 nom se escreviam, como dizia Castelao, os recibos da contribui\u00e7om, senom nengumha classe de documentos nem textos liter\u00e1rios. Entom, cando por algumha razom excepcional primeiro -como reproduzir palavras ou expressons de gentes campesinas para burlar-se da rusticidade da sua fala-, ou com umha finalidade pintoresquista depois, e logo cient\u00edfica ou art\u00edstica -j\u00e1 em pleno Ressurgimento-, houvo que fixar no papel algum texto galego, esta l\u00edngua \u00e1grafa, esta l\u00edngua aliter\u00e1ria foi transcrita, como \u00e9 natural, empregando o sistema que se empregava na l\u00edngua escrita, na l\u00edngua liter\u00e1ria do pa\u00eds, que em Galiza era a l\u00edngua castelhana. Isto era natural, nom no sentido de que fosse natural que o galego vestisse a libr\u00e9 ortogr\u00e1fica do castelhano, mas no sentido de que nom era poss\u00edvel que sucedesse outra cousa.<\/span><\/div>\n<div style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #333399;\">O galego era tido como um dialecto oral, e nom havia outra ortografia que a da l\u00edngua oficial. Nom existia umha ortografia galega porque nom existia umha escrita galega. O galego fora umha l\u00edngua liter\u00e1ria noutrora, e mesmo fora a l\u00edngua liter\u00e1ria para toda a Espanha crist\u00e1 centro-ocidental durante mais de um e mais de dous s\u00e9culos para um determinado g\u00e9nero po\u00e9tico. Mas tal situa\u00e7om estava esquecida, e o galego que agora havia que escrever nom era o galego dos trovadores, mas o galego dos lavradores, um galego deca\u00eddo, que perdera todo o seu l\u00e9xico nobre, ou seja, o que nom se referia ao trabalho agr\u00edcola e marinheiro e ao trabalho artesao mais rotineiro e fossilizado. Porque a l\u00edngua de todos os poderes -o pol\u00edtico, o eclesi\u00e1stico, o econ\u00f3mico-era o castelhano, e com o tempo, cando a revolu\u00e7om t\u00e9cnica introduziu inova\u00e7ons no pr\u00f3prio trabalho agr\u00edcola, estas inova\u00e7ons cheg\u00e1rom co seu nome castelhano, porque foram introduzidas desde Castela. Assi, o galego nom s\u00f3 era um dialecto r\u00fastico, senom um dialecto em vias de extin\u00e7om, porque o seu destino era correr a sorte que j\u00e1 correram as suas manifesta\u00e7ons nom campesinas, o l\u00e9xico correspondente \u00e0s ideias que diziam respeito \u00e0 vida espiritual, \u00e0 vida administrativa, \u00e0 vida cidad\u00e1. Com esta realidade, o galego nom podia gerar umha ortografia aut\u00eantica.<\/span><\/div>\n<div style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\"><span style=\"color: #333399;\">Avondava, para amortalh\u00e1-lo, o sud\u00e1rio da ortografia oficial. Mas como o galego nom morreu, nom acabou de morrer, o problema da ortografia do galego adquiriu novos contextos.<\/span><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continua a ser um texto encaminhado ao p\u00fablico geral, est\u00e1 desenhado para resolver como respostas e para rebater as d\u00favidas e argument\u00e1rio que continua a levantar-se, neste mesmo presente, daquelas pessoas que contactam, topam ou reparam, por vez primeira, com as teses ou as pr\u00e1ticas reintegracionistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teses e pr\u00e1ticas precursoras, inc\u00f3modas ou menos c\u00f3modas, as expostas daquela por Carvalho. Formula\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias que, por outra banda, trinta e cinco anos depois, marcam presen\u00e7a e rumo e s\u00e3o incontorn\u00e1veis e imposs\u00edveis de ignorar para sociedade e para a cultura galega.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px; text-align: justify;\"><span class=\"css-901oao css-16my406 r-1qd0xha r-ad9z0x r-bcqeeo r-qvutc0\" style=\"color: #333399;\">A reintegra\u00e7om da nossa ortografia na nossa \u00e1rea natural nom \u00e9 umha arela moderna, agromada nos cerebros desequilibrados de um fato de tolos e de umha caterva de ignorantes dominados polo erotismo da utopia. [&#8230;] <\/span><span class=\"css-901oao css-16my406 r-1qd0xha r-ad9z0x r-bcqeeo r-qvutc0\" style=\"color: #333399;\">Os reintegracionistas propugnam, pois, a assun\u00e7om gradual da nossa ortografia hist\u00f3rica, entendendo-se como tal, com certeza, nom s\u00f3 a que se usava cando o castelhano deslocou o galego como l\u00edngua escrita nas prov\u00edncias espanholas, senom tam\u00e9m a que continuou desenvolvendo-se al\u00e9m Minho, onde o roman\u00e7o atl\u00e1ntico mantivo as suas posi\u00e7ons como l\u00edngua normal e realizou umha expansom ultrapeninsular paralela \u00e0 do espanhol central.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez algumas das escolhas e propostas apontadas em 1985 hoje resultem evidentes, outras at\u00e9 j\u00e1 ultrapassadas, e as mais delas n\u00e3o resultar\u00e3o novidade pois formam parte do c\u00e2none e repert\u00f3rio dial\u00e9tico do reintegracionismo. Mas, o razoamento, sentido e oportunidade continuam sendo orienta\u00e7\u00e3o e refer\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"paratextTab contentText\">\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"titulo\" style=\"text-align: justify;\"><b>O problema ortogr\u00e1fico<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/a.gal\/Agalia\/002.pdf\">Revista Ag\u00e1lia n\u00ba 2<\/a> (1985), pp. 127-134<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/aa.academiagalega.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Problema-ortografico-1985-AGALIA-2.pdf\">Baixar PDF: Problema ortografico 1985 AGALIA 2<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero dous do \u00f3rg\u00e3o da AGAL, a revista Ag\u00e1lia, ver\u00e3o 1985, abria com um artigo de Ricardo Carvalho Calero. 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